BACK TO FREEDOM - Luiza Giannotti

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.
- William Shakespeare
Eu senti falta, eu me arrependi.
Eu procurei, eu fui atrás, eu pedi perdão.
Eu deixei meu orgulho de lado, mas você não deu valor.
Eu cansei.
E muitas vezes até o que é verdadeiro acaba perdendo as forças.

E muitas vezes até o que é verdadeiro acaba perdendo as forças.

-Então, Maria, conte sobre seu novo presente!

-Que presente? Ah, sim. Meu pingente.

-Uma verdadeira jóia! -disse minha mãe- Ouro branco, repleto de diamantes e brilhates.

Mas afinal… qual é a verdadeira jóia? Objeto de adorno, matéria preciosa… Sim. Eu tinha objetos de adorno, extremamente preciosos. Mas não era aquele pingente. Nem os brincos. Nem os colares. Para mim, aquilo com certeza não era uma jóia. Claro, como tudo o que é feito com pedras preciosas, o pingente tinha seu valor. Mas não era nada comparado às minhas pelúcias. Elas sim, eram as verdadeiras jóias. Presentes que foram dados com amor.

A primeira delas se chamava Loira. Como eu queria um bicho para dormir, meu avô trouxe aquela girafinha de uma de suas inúmeras viagens. Loira não era de uma loja conhecida, não deve ter custado caro. Mas dentro dela estava guardado todo o amor que eu sentia pelo meu avô, e ele por mim. Algo mais valioso que qualquer pedra. Até hoje durmo abraçada com Loira: lembranças de um tempo que não existe mais… Vovô se foi. Mas seu coração de ouro e personalidade brilhante sempre estiveram ali, nos olhos de Loira.

Ganhei minha outra jóia em meu aniversário de catorze anos, de meu namorado. Um ursinho de pelúcia, segurando uma rosa. Ah, como eu amava aquele menino. E como ele me amava! Apesar da pouca idade, eu era a pessoa mais feliz do mundo ao seu lado. Estávamos juntos em tudo, nos bons e nos ruins momentos. E era tão bom! Passar as tardes juntos, abraçados, olhando um nos olhos do outro. Seus olhos castanhos, sorriso envergonhado e cheirinho único… Pena que eu não fui o suficiente para ele. Aos poucos, ele foi se cansando de mim. Talvez por causa de meu ciúmes, talvez por causa do meu amor excessivo. Mas como eu bem disse, aquilo tudo era só… amor! Cerca de um ano depois, ele terminou. Mas eu não guardo as mágoas daquele tempo, pelo contrário: só as alegrias (que não foram poucas). Para mim, aquele urso de pelúcia representava a jóia mais rara do mundo: o amor. Durou pouco de fato, mas foi verdadeiro. Eterno enquanto durou. E eterno na memória.

Sim, minhas jóias eram minhas duas pelúcias. Elas tinham algo extremamente valioso. Elas tinham o amor.


E dai você percebe que a sua vida não tem mais sentido sem ele.

E dai você percebe que a sua vida não tem mais sentido sem ele.

Dormir é ótimo. Você se esquece de tudo por um tempo.

Dormir é ótimo. Você se esquece de tudo por um tempo.

Deixa eu dizer que te amo? Só que sussurrando no seu ouvido…
Deixa eu roubar você pra mim? Só pra poder acordar e ver você ao meu lado.
Deixa eu te provocar? Só pra depois te encher de carinho, até você não resistir mais e me dar um sorriso.
Deixa eu matar essa saudade? Essa saudade que quase me mata…
Deixa eu ser sua? Porque dona do meu coração eu já não sou mais.